O crime ocorrido em 7 de abril, em uma escola de Realengo, no Rio de Janeiro, e que deixou 12 crianças mortas, teve um motivo, não justificável, pelo atirador: bullying.
Desde a tragédia em Realengo, no Rio de Janeiro, o Brasil vem se perguntando cada vez mais até que ponto o bullying, palavra americana incorporada no dicionário brasileiro que tem como significado a agressão física ou psicológica de uma criança por seus colegas, pode afetar o comportamento e as atitudes de um ser humano.
O bullying muitas vezes não é levado a sério por professores, diretores e familiares das vítimas que sofrem com esses ataques, justamente por acharem que são apenas brincadeiras dos colegas, mas estas poderão permanecer na memória das vítimas pelo resto da vida, e um dia a raiva desses colegas poderá crescer, um sentimento de vingança reinará e ocorrerá um crime como em Realengo.
De acordo com a ONG Plan, um em cada três estudantes brasileiros do ensino fundamental diz já ter sido agredido, seja física ou psicologicamente, por colegas da escola. Destes, os que mais persistem os ataques, são considerados bullying, que chega a uma estimativa de um entre dez estudantes. Ataques, ameaças e intimidações vêm muitas vezes através da internet, levando o problema para fora da escola. Segundo a educadora Cleo Fante, coordenadora do estudo, os números podem ser ainda maiores, já que muitos estudantes têm medo ou vergonha de revelarem que já sofreram tais agressões.
Antes de efetuar o massacre em Realengo, o autor do crime, Wellington Menezes de Oliveira, deixou um conjunto de cartas, imagens e vídeos, onde descrevia os motivos pelos quais iria cometer aquela barbárie, citando o bullying que sofreu quando estudante da escola, e como isso o deixou traumatizado. Segundo a polícia, Wellington era uma pessoa que agia sozinha e parecia ser esquizofrênico, mas nada justifica este crime, nem bullying, nem esquizofrenia.
Matéria baseada na edição 2213, de 20/04/2011, da Revista Veja.
Imagens: Revista Veja.